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poemas com cinema II

Psycho

Assaninada no duche 
como Marat
mas sem revolução 
nem razão
é o sangue aguado dela
vai-se pelo ralo
da banheira
no sentido
dos ponteiros do relógio 
nos antípodas 
seria ao contrário 
porquê?

Adília Lopes

adília lopes

fizeste-me mil maldades e uma maldade muito grande que não se faz
acho que devo ter sido a pessoa a quem fizeste mais maldades
nem deves ter feito a ninguém uma maldade tão grande
como a que me fizeste a mim
não sei se tens remorsos
tu dizes que não tens remorsos nenhuns
porque dizes que és um vil criminoso para mim
eu também sou uma vil criminosa mas não para ti
desconfio que tens o remorso de ter alguns remorsos
por me teres feito mil maldades
e uma maldade tão grande
a maldade muito grande já está feita e não se faz
acho que essa maldade muito grande nos aproximou um do outro
em vez de nos afastar
mas para mim é um drôle de chemin
e para ti também deve ser
mas com um vil criminoso nunca se sabe

Adília Lopes

Não gosto tanto
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito dos seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha
eu gostava
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito
de livros
e acredito na Ressurreição
dos livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever

um filme português

Um piano
toca

Um candelabro
aceso

Um livro
encontrado

Um corvo
parado

Um cavalo
corre

Uma cara
lacrada

Adília Lopes