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Moravia e Pasolini

Na realidade, Pasolini era inimigo da violência não só por temperamento, pois era um homem meigo, doce e gentil e eminentemente dotado daquela piedade cujo desaparecimento lamentava, mas também e sobretudo porque a descoberta da nova violência massificada estava ao centro das suas mais profundas preocupações culturais e políticas.

Rimbaud, numa famosa poesia, diz ter adivinhado a madrugada em cem indícios sem porém a ver inteiramente "com o seu corpo imenso", até ao fim. Para a violência, com Pasolini, aconteceu como a Rimbaud, para a madrugada. Entreviu-lhe "o corpo imenso", apenas no último momento, quando já era demasiado tarde. Rimbaud diz que imediatamente depois de ter descoberto a madrugada caiu num sono profundo: "Quando acordou, era meio-dia". Pasolini viu a violência de massa na cara uma só vez, inteira e terrível. Tudo para ele foi portanto obscuridade, sem mais um acordar.

(Texto de Alberto Moravia, no Livro "Últimos Escritos, de Pasolini)

viajo com os livros I

A Indía  é o país das coisas incríveis, para as quais olhamos três vezes e esfregamos os olhos, julgando ter tido ilusões de óptica; estas lúgubres perspectivas de corpos humanos estendidos nos passeios, que recordam um pouco os famosos desenhos de Moore sobre os dormitórios improvisados durante o Blitz nas estações subterrâneas de Londres, e também as fotografias dos fuzilados nos campos de extermínio da última guerra, de entre as coisas indianas são certamente aquelas diante das quais ficamos mais perplexos.

Pode parecer estranho, mas senti-me muito mais embaraçado diante de Nehru tão natural, tão afável, tão intelectual, do que me teria sentido perante um ditador formal e autoritário...
Com efeito, um ditador não teria exigido de mim mais do que uma atitude convencional quase ritual, e uma quantidade limitada de frases feitas e de trivialidades. Nehru, porém, exigia de mim um esforço contínuo de reflexão, de escolha, de compreensão, enfim, de imaginação.

Alberto Moravia
(Uma ideia da Índia)