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Moravia e Pasolini
Na realidade, Pasolini era inimigo da violência não só por temperamento, pois era um homem meigo, doce e gentil e eminentemente dotado daquela piedade cujo desaparecimento lamentava, mas também e sobretudo porque a descoberta da nova violência massificada estava ao centro das suas mais profundas preocupações culturais e políticas.
Rimbaud, numa famosa poesia, diz ter adivinhado a madrugada em cem indícios sem porém a ver inteiramente "com o seu corpo imenso", até ao fim. Para a violência, com Pasolini, aconteceu como a Rimbaud, para a madrugada. Entreviu-lhe "o corpo imenso", apenas no último momento, quando já era demasiado tarde. Rimbaud diz que imediatamente depois de ter descoberto a madrugada caiu num sono profundo: "Quando acordou, era meio-dia". Pasolini viu a violência de massa na cara uma só vez, inteira e terrível. Tudo para ele foi portanto obscuridade, sem mais um acordar.
(Texto de Alberto Moravia, no Livro "Últimos Escritos, de Pasolini)
Rimbaud, numa famosa poesia, diz ter adivinhado a madrugada em cem indícios sem porém a ver inteiramente "com o seu corpo imenso", até ao fim. Para a violência, com Pasolini, aconteceu como a Rimbaud, para a madrugada. Entreviu-lhe "o corpo imenso", apenas no último momento, quando já era demasiado tarde. Rimbaud diz que imediatamente depois de ter descoberto a madrugada caiu num sono profundo: "Quando acordou, era meio-dia". Pasolini viu a violência de massa na cara uma só vez, inteira e terrível. Tudo para ele foi portanto obscuridade, sem mais um acordar.
(Texto de Alberto Moravia, no Livro "Últimos Escritos, de Pasolini)
pier paolo pasolini
Não sei bem o que é a religião indiana: leiam os artigos do meu maravilhoso companheiro de viagem, do Moravia, que se documentou na perfeição, e dotado de maior capacidade de síntese do que eu, tem sobre o assunto ideias muito claras e fundamentadas. Sei que substancialmente o bramanismo fala de uma força originária vital, de um "sopro", que a seguir se manifesta e concretiza na infinita plasticidade das coisas: um pouco, em suma, a teoria da ciência atómica como, precisamente, Moravia acentua.
Procurei falar destas coisas com muitos hindus: mas nenhum tem a mais pálida ideia a tal respeito. Cada qual tem o seu culto, Visnu, Siva ou Kali, e segue fielmente os ritos correspondentes. Por isso não posso deixar de me limitar a descrições como as que fiz. Mas posso dizer uma coisa: que os hindus são o povo mais afectuoso, mais doce, mais paciente que se pode conceber. A não-violência está nas suas raízes, na própria razão de ser da sua vida. Talvez de quando em quando defenda a sua fraqueza com algum histrionismo ou insinceridade: mas são pequenas sombras nas margens de tanta luz, de tanta transparência.
Basta ver a maneira que têm de dizer que sim. Em vez de concordarem como nós levantando e baixando a cabeça, abanam-na um pouco como nós quando dizemos que não: mas a diferença do gesto é, apesar disso, enorme. O seu não que significa sim consiste num fazer ondular a cabeça ( a sua cabeça morena e ondulada com a sua pobre pele negra, que é a cor mais bela que pode ter uma pele) com brandura, num gesto que é ao mesmo tempo doce - "Pobre de mim, digo que sim, mas não sei se é possível" - e astuto - "Porque não?" -, amedrontado - "É tão difícil" - e ao mesmo tempo encantador: "Sou todo teu". A cabeça sobe e desce, como que levemente desprendida do pescoço, e os ombros, também eles, ondeiam um pouco, com um gesto de rapariga que vence o pudor, que se torna afectuosa. Vistas à distância, as massas indianas fixam-se na memória, com o seu gesto de assentimento, e o sorriso dos olhos, infantil e radioso, que o acompanha. A sua religião está nesse gesto.
Um cheiro da Índia
Pasolini em 1961, faz uma viagem à Índia na companhia de Alberio Moravia e Elsa Morante.
O Moravia tem outro livro, Uma ideia da Índia, da Editora Tinta da China.
Procurei falar destas coisas com muitos hindus: mas nenhum tem a mais pálida ideia a tal respeito. Cada qual tem o seu culto, Visnu, Siva ou Kali, e segue fielmente os ritos correspondentes. Por isso não posso deixar de me limitar a descrições como as que fiz. Mas posso dizer uma coisa: que os hindus são o povo mais afectuoso, mais doce, mais paciente que se pode conceber. A não-violência está nas suas raízes, na própria razão de ser da sua vida. Talvez de quando em quando defenda a sua fraqueza com algum histrionismo ou insinceridade: mas são pequenas sombras nas margens de tanta luz, de tanta transparência.
Basta ver a maneira que têm de dizer que sim. Em vez de concordarem como nós levantando e baixando a cabeça, abanam-na um pouco como nós quando dizemos que não: mas a diferença do gesto é, apesar disso, enorme. O seu não que significa sim consiste num fazer ondular a cabeça ( a sua cabeça morena e ondulada com a sua pobre pele negra, que é a cor mais bela que pode ter uma pele) com brandura, num gesto que é ao mesmo tempo doce - "Pobre de mim, digo que sim, mas não sei se é possível" - e astuto - "Porque não?" -, amedrontado - "É tão difícil" - e ao mesmo tempo encantador: "Sou todo teu". A cabeça sobe e desce, como que levemente desprendida do pescoço, e os ombros, também eles, ondeiam um pouco, com um gesto de rapariga que vence o pudor, que se torna afectuosa. Vistas à distância, as massas indianas fixam-se na memória, com o seu gesto de assentimento, e o sorriso dos olhos, infantil e radioso, que o acompanha. A sua religião está nesse gesto.
Um cheiro da Índia
Pasolini em 1961, faz uma viagem à Índia na companhia de Alberio Moravia e Elsa Morante.
O Moravia tem outro livro, Uma ideia da Índia, da Editora Tinta da China.
Pasolini
... Meu pai, quando nasci, era tenente de infantaria: pertencia a uma antiga família de Ravena, e tinha esbanjado todo o património - passional, sensual e violento de carácter: e fora parar à Líbia, sem um tostão; assim começara a carreira militar, pela qual viria a ser depois deformado e reprimido até ao conformismo mais definitivo. Isto nunca o pôde contentar, antes pelo contrário angustiou-o sempre, até uma forma quase paranóica nos últimos anos, no regresso da sua terceira guerra. Contava comigo, com a minha carreira literária, desde pequeno, pois escrevi as primeiras poesias aos 7 anos: intuíra, pobre homem, mas não previra, as satisfações, as humilhações. Acreditava poder conciliar a vida de um filho escritor com o seu conformismo. A inconciabilidade fê-lo enlouquecer: ao compreender deixou de compreender... Para nada lhe servia a sua agudíssima inteligência: era um instrumento que nunca encontrava verdadeiro uso. Exaltava-se, barafustava, esbracejava: estava no mundo para sofrer, e quanto nos fez sofrer, a mim e a minha mãe! Quando em 1942 saiu o meu primeiro livro, Poesie a Casarsa (em dialecto friulano! Coisa absurda para ele que, oficialzeco de primeira apanha, era capitão em Casarsa, e ali conhecera minha mãe, apoderando-se imediatamente dela, com a sua prepotência infantil e centralizadora): recebeu-o no Quénia, onde estava prisioneiro. Mas apesar do absurdo da língua usada, era dedicado a ele, e isto consolava-o, mimava-o.
Quando voltou, eu estava em Casarsa, com minha mãe: estava perdido como uma interminável intimidade que fazia do Friuli a sua sede objectiva. Meu irmão Guido morrera na resistência. Minha mãe e eu estávamos meio destruídos pela dor. Caiu ele assim em Casarsa numa espécie de nova prisão: e começou a sua agonia longa de doze anos. Viu sair, um a um, os meus primeiros livros, em friuliano, seguiu os meus primeiros sucessos críticos, viu-me licenciado em letras: e no entanto compreendia-me sempre cada vez menos. O contraste era feroz: se alguém adoecesse de cancro e depois se curasse, teria provavelmente da sua doença a mesma recordação que eu tenho desses anos. Nos primeiros meses de 1950 estava eu em Roma com minha mãe: meu pai viria também, quase dois anos depois, e da Praça Costaguti passámos-nos para a Ponte Mammolo: já nos anos cinquenta começara a escrever as primeiras páginas de Ragazzi di Vita. Estava desempregado, reduzido a condições desesperadas: poderia ter mesmo morrido. Depois, com a ajuda do poeta dialectal abruzês Vittorio Clemente encontrei uma colocação de professor numa escola privada de Ciampino, com 25 mil liras por mês. Dois anos de duro trabalho, de pura luta: e o meu pai sempre ali, à espera, só na pobre cozinha, com os cotovelos sobre a mesa e a cara apoiada entre as mãos, imóvel, mau, dolente; enchia o espaço do pequeno vão com a grandeza que têm os corpos mortos. Depois Bassani fez-me entrar na primeira encenação cinematográfica: e terminara os Ragazzi de vita que Bertolucci indicou a Garzanti. Meu pai pôde então tratar de uma mudança de casa que lhe dava satisfação, que acordava nele o prazer do mandar, da vaidade e do decoro burguês. Fomos viver para Monteverde, na Via Fonteiana: deixei a escola, continuei a trabalhar, a escrever versos, a avançar com Una vita violenta, a encenar, quando calhava: com a colaboração em Le notti de cabiria pude comprar também um fiat 600: que depois se tornou num mil e cem. Tive alguns prémios, o prémio "Città di Parma" por Ragazzi di vita, o prémio "Viareggio" por Le ceneri di Gramsci (antes tivera uma dezena de prémios menores, por versos dialectais, crítica, etc). Mas a vida em minha casa era sempre a mesma, sempre igual à morte. Meu pai sofria e fazia-nos sofrer; odiava o mundo, que ele reduzira a dois ou três dados obsessivos e inconciliáveis: era destes que bate continuamente e desesperadamente com a cabeça contra um muro. A sua verdadeira agonia durou muitos meses: respirava com custo, com contínuo lamento. Estava doente do fígado e sabia que era grave, que apenas um dedo de vinho lhe fazia mal, e bebia, pelo menos, dois litros dele por dia. Não se queria curar, em nome da sua vida retórica. Não nos ouvia, nem a mim nem a minha mãe, porque nos desprezava. Uma noite voltei para casa apenas a tempo de o ver morrer.
Eu agora continuo a mesma vida: trabalho de manhã em casa:tenho que pôr em ordem um novo volume de versos, La ricchezza: estou tomando as notas para o terceiro romance, Il Rio della Grana, comecei a traduzir Eneida. E depois os trabalhos práticos, o cinema, a redacção de "Officcina", etc. Saio depois do almoço, ao acaso, quase sempre até às duas da noite: passeio-me desde as borgate* e as periferias mais famosas até algumas reuniões, não frequentes, com os amigos, Bertolucci, Bassani, Gadda, Moravia, Morante, Citati... Ou então também, algumas vezes, pelos salões de Bellonci, de De Giorgi, de Mastrocinque, de Astaldi... Mas a maior parte da minha vida passo-a para lá dos limites da cidade, para lá do fim da linha do eléctrico, como diria, hermetizando, um mau poeta neo-realista. Amo a vida ferozmente, tão desesperadamente, que não me pode advir daí algum bem: refiro-me aos dados físicos da vida, ao sol, à erva, à juventude; é um vício mais tremendo que o da cocaína, pois não me custa nada e existe com uma abundância desmedida, sem limites: e eu devoro, devoro... Como irá acabar, não faço ideia...
(* Bairros de barracas da periferia das grandes cidades italianas)
Últimos Escritos
Quando voltou, eu estava em Casarsa, com minha mãe: estava perdido como uma interminável intimidade que fazia do Friuli a sua sede objectiva. Meu irmão Guido morrera na resistência. Minha mãe e eu estávamos meio destruídos pela dor. Caiu ele assim em Casarsa numa espécie de nova prisão: e começou a sua agonia longa de doze anos. Viu sair, um a um, os meus primeiros livros, em friuliano, seguiu os meus primeiros sucessos críticos, viu-me licenciado em letras: e no entanto compreendia-me sempre cada vez menos. O contraste era feroz: se alguém adoecesse de cancro e depois se curasse, teria provavelmente da sua doença a mesma recordação que eu tenho desses anos. Nos primeiros meses de 1950 estava eu em Roma com minha mãe: meu pai viria também, quase dois anos depois, e da Praça Costaguti passámos-nos para a Ponte Mammolo: já nos anos cinquenta começara a escrever as primeiras páginas de Ragazzi di Vita. Estava desempregado, reduzido a condições desesperadas: poderia ter mesmo morrido. Depois, com a ajuda do poeta dialectal abruzês Vittorio Clemente encontrei uma colocação de professor numa escola privada de Ciampino, com 25 mil liras por mês. Dois anos de duro trabalho, de pura luta: e o meu pai sempre ali, à espera, só na pobre cozinha, com os cotovelos sobre a mesa e a cara apoiada entre as mãos, imóvel, mau, dolente; enchia o espaço do pequeno vão com a grandeza que têm os corpos mortos. Depois Bassani fez-me entrar na primeira encenação cinematográfica: e terminara os Ragazzi de vita que Bertolucci indicou a Garzanti. Meu pai pôde então tratar de uma mudança de casa que lhe dava satisfação, que acordava nele o prazer do mandar, da vaidade e do decoro burguês. Fomos viver para Monteverde, na Via Fonteiana: deixei a escola, continuei a trabalhar, a escrever versos, a avançar com Una vita violenta, a encenar, quando calhava: com a colaboração em Le notti de cabiria pude comprar também um fiat 600: que depois se tornou num mil e cem. Tive alguns prémios, o prémio "Città di Parma" por Ragazzi di vita, o prémio "Viareggio" por Le ceneri di Gramsci (antes tivera uma dezena de prémios menores, por versos dialectais, crítica, etc). Mas a vida em minha casa era sempre a mesma, sempre igual à morte. Meu pai sofria e fazia-nos sofrer; odiava o mundo, que ele reduzira a dois ou três dados obsessivos e inconciliáveis: era destes que bate continuamente e desesperadamente com a cabeça contra um muro. A sua verdadeira agonia durou muitos meses: respirava com custo, com contínuo lamento. Estava doente do fígado e sabia que era grave, que apenas um dedo de vinho lhe fazia mal, e bebia, pelo menos, dois litros dele por dia. Não se queria curar, em nome da sua vida retórica. Não nos ouvia, nem a mim nem a minha mãe, porque nos desprezava. Uma noite voltei para casa apenas a tempo de o ver morrer.
Eu agora continuo a mesma vida: trabalho de manhã em casa:tenho que pôr em ordem um novo volume de versos, La ricchezza: estou tomando as notas para o terceiro romance, Il Rio della Grana, comecei a traduzir Eneida. E depois os trabalhos práticos, o cinema, a redacção de "Officcina", etc. Saio depois do almoço, ao acaso, quase sempre até às duas da noite: passeio-me desde as borgate* e as periferias mais famosas até algumas reuniões, não frequentes, com os amigos, Bertolucci, Bassani, Gadda, Moravia, Morante, Citati... Ou então também, algumas vezes, pelos salões de Bellonci, de De Giorgi, de Mastrocinque, de Astaldi... Mas a maior parte da minha vida passo-a para lá dos limites da cidade, para lá do fim da linha do eléctrico, como diria, hermetizando, um mau poeta neo-realista. Amo a vida ferozmente, tão desesperadamente, que não me pode advir daí algum bem: refiro-me aos dados físicos da vida, ao sol, à erva, à juventude; é um vício mais tremendo que o da cocaína, pois não me custa nada e existe com uma abundância desmedida, sem limites: e eu devoro, devoro... Como irá acabar, não faço ideia...
(* Bairros de barracas da periferia das grandes cidades italianas)
Últimos Escritos
pier paolo pasolini
É quase meia noite, o Taj Mahal tem o ar de um mercado que fecha. O grande hotel, um dos mais conhecidos do mundo, escavado de um extremo a outro por corredores e salões de pé-direito muito alto (dir-se-ia que se anda à roda no interior de um enorme instrumento musical), está cheio tão-só de boys vestidos de branco, e de porteiros com turbantes de gala, que esperam a passagem de táxis equívocos. Ainda não é altura, oh, não é altura de me ir deitar, nesses quartos grandes como camaratas, cheios de móveis de um desolado século XX retardatário, com ventiladores que parecem helicópteros.
São as primeiras horas da minha presença na Índia, e eu não sei dominar a fera sequiosa fechada dentro de mim, como numa jaula. Convenço o Moravia a dar pelo menos dois passos fora do hotel, e a respirar um pouco do ar da primeira noite indiana.
Assim saímos, para a estreita marginal que corre por de trás do hotel, pela saída das traseiras. O mar está sossegado, não dá sinais da sua presença. Ao longo do parapeito que o contém, há automóveis parados e, perto deles, esses seres fabulosos, sem raízes, sem sentido, carregados de significações duvidosas e inquietantes, dotados de um fascínio poderoso, que são os primeiros indianos de uma experiência que quer ser exclusiva como a minha.
São todos mendigos, ou dessas pessoas que vivem nas imediações de um grande hotel, entendidos na sua vida mecânica e secreta: têm uma faixa branca a envolver-lhes os flancos, uma outra faixa por cima dos ombros, e alguns deles, outra ainda enrolada à volta da cabeça: são quase todos os negros de pele, como que negros, alguns deles negríssimos.
Pier Paolo Pasolini
Um cheiro da Índia
Pasolini em 1961, faz uma viagem à Índia na companhia de Alberio Moravia e Elsa Morante.
O Moravia tem outro livro, Uma ideia da Índia, da Editora Tinta da China.
São as primeiras horas da minha presença na Índia, e eu não sei dominar a fera sequiosa fechada dentro de mim, como numa jaula. Convenço o Moravia a dar pelo menos dois passos fora do hotel, e a respirar um pouco do ar da primeira noite indiana.
Assim saímos, para a estreita marginal que corre por de trás do hotel, pela saída das traseiras. O mar está sossegado, não dá sinais da sua presença. Ao longo do parapeito que o contém, há automóveis parados e, perto deles, esses seres fabulosos, sem raízes, sem sentido, carregados de significações duvidosas e inquietantes, dotados de um fascínio poderoso, que são os primeiros indianos de uma experiência que quer ser exclusiva como a minha.
São todos mendigos, ou dessas pessoas que vivem nas imediações de um grande hotel, entendidos na sua vida mecânica e secreta: têm uma faixa branca a envolver-lhes os flancos, uma outra faixa por cima dos ombros, e alguns deles, outra ainda enrolada à volta da cabeça: são quase todos os negros de pele, como que negros, alguns deles negríssimos.
Pier Paolo Pasolini
Um cheiro da Índia
Pasolini em 1961, faz uma viagem à Índia na companhia de Alberio Moravia e Elsa Morante.
O Moravia tem outro livro, Uma ideia da Índia, da Editora Tinta da China.
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