o humor é uma qualidade decisiva nas pessoas inteligentes e será a única que nos ajuda, talvez, no meio de todo o disparate, tristeza e absurdo que vivemos.
A nossa vida é feita de escolhas, tudo tem que ver com as opções e as prioridades de cada um: é isso que diferencia as pessoas, saber o que é mais importante na vida, para elas.
Eu desconfio do conforto demasiado. Conforto a mais não traz nada, não gera inquietação, não gera movimento. E mais, digo até que viver com demasiado conforto pode matar a obra do artista, amolecê-la. Deixa de haver desassossego quando tudo se torna demasiado fácil. A forma como se vive, onde se vive, por que se vive...
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rui chafes
Tudo se pode lavar, menos a alma. Os pecados estão na alma, não no corpo.
A beleza física só existe nas pessoas que não têm a noção de si próprias. As pessoas mais belas não têm consciência da sua beleza.
Prémio Pessoa 2015
rui chafes
Acredito na poesia, no seu poder único. Como Novalis, acredito que tudo é poesia, que a mais pequena flor representa um pensamento, a intuição pura de um instante, uma explosão gelada de verdade. O sentido poético (tal como o entendia Pier Paolo Pasolini) é o que nos permite agir sobre o mundo mediante uma deslocação, por vezes mínima, de sentido ou de ponto de vista. O sentido poético é o que desloca o espectador para um ponto onde uma nova construção da realidade pode acontecer. O fim da poesia é estabelecer um desvio, é quebrar e desconstruir todos os códigos de comunicação existentes, alterar o mundo como os homens o conhecem, abrir fissuras no espaço com a sua presença. A poesia não é uma outra linguagem, é, sobretudo, um outro olhar. Robert Bresson disse que não é necessário nem possível procurar a poesia, ela penetra pelas juntas, o que é preciso é saber recebê-la. Para isso, é necessário juntar o que está separado, desequilibrar para reequilibrar, pois não existe arte sem transformação.
(Entre o céu e a terra)
(Entre o céu e a terra)
rui chafes
A cabeça estala por dentro, cansada das visões do inferno. O Inferno é a perda de cor, de movimento, a perda de vida. Quando perdemos a vontade de regressar ao amplo espaço onde conhecemos a tranquilidade dos sonhos por realizar, é porque já não queremos fugir para o único lugar onde a vida alguma vez fez sentido. O Inferno não é a solidão mas, sim, a barreira que nos isola dos outros. O silêncio estático e apático que nos interroga através das imensas cortinas de água que toldam os nossos olhos; um sorriso que não é dirigido a ninguém. Passamos da escuridão à luz e da luz à escuridão. De cada vez, ficamos apavorados, com medo de abandonar o mundo que já conhecemos, de acabar, de chegar ao fim. Mas tudo é apenas uma passagem para outro universo, para um novo estado, um novo mundo, como nos explicou a longínqua voz de Lhasa de Sela. A beleza é impossível sem as marcas da morte, da separação, da consciência da morte que dá sentido à vida. O moribundo morre abandonado, deitado na dureza de uma pedra gelada, o seu grito não lhe pertence, está ao lado dele e prolonga-se sem fim. Estar tão só que não é possível imaginar o que é não estar só. Sozinho neste vazio, os lábios secos. Uma luz que se apaga, uma luz que se acende. A cada momento a esperança de que não seja o último. Qual é o nome deste fechar de olhos, ardendo em febre? Cada olhar vem pesado, sobrecarregado de memórias, de todas as memórias de todos os dias felizes. Uma vela que se apaga, lentamente, com a silenciosa tranquilidade dos momentos irreversíveis. Últimas palavras. O último minuto, aquele que Jean-Luc Godard filmou de forma raivosa, revoltada e incompleta, assombrado pelo pesadelo da cristalina perfeição do horror; ainda falta muito para esse minuto chegar ao fim.
(Entre o Céu e a Terra)
(Entre o Céu e a Terra)
rui chafes
Não é a escultura, o desenho, a pintura, a fotografia...é a alma. A arte é o duro trabalho da nossa alma. A história da alma de um artista é dura, difícil, por vezes desagradável e custosa. Mas do lado de lá, do outro lado, onde se encontram todos os nossos demónios e onde já estamos para além de tudo, encontramos a única geometria possível, a mais cristalina, parecida com a que rege os astros que rodeiam a bela lua. Aí construímos flores de aço e observamos, maravilhados, a transparência da chuva velando as suas pétalas metálicas. É este o único realismo que me interessa.
(Entre o céu e a terra)
(Entre o céu e a terra)
rui chafes
Envelhecer é endurecer. Quando erguemos paredes de rigidez à volta da nossa vida, do nosso pensamento, estamos a envelhecer. Envelhecer é tornar-se rígido, duro e seco, como uma árvore que morre. "Se quiseres viver, tens de permanecer macio e flexível como um recém-nascido" disse-nos Arseni Tarkowsky pela voz das imagens do seu filho Andrej. Temos de, permanentemente, aceitar e acolher a instabilidade que altera os nossos hábitos para não ficarmos empedernidos, secos, fechados. Temos de aceitar, definitivamente, que o pensamento é sempre provisório, temporário. Só a permanente capacidade de mudança e de espanto para com o mundo nos poderá fazer viver (e não apenas, existir). "Ser sábio é muito melhor do que ser inflexível", escreveu o sábio poeta grego Teógnis.
Entre o céu e a terra
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