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rui nunes

Este país, de onde não podes, nem isso, só os teus dedos ao longo de um cabelo empastado de brilhantina, ao longo do peito, das pernas, às vezes de uns lábios, gretados, mirrados, tira as mãos daí: dizem-te, e a tua mão afasta-se, mas ainda sente o calor intermitente da respiração, porra, quase não consigo respirar: dizem-te, e tu afastas ainda mais a mão. E ela fica no seu desamparo, Não sabes, nunca saberás. O outro agora finge dormir, tu olha-lo, a boca entreaberta, um pouco de ranho a escorrer-te do nariz, tão secos os olhos quase não se podem fechar,
- então?
perguntam.
Estremeces.
E tudo recomeça.

(ou, transigindo, de que lado passarás a morrer, a clarear)?

rui nunes

Não és já o corpo, e quando te penso não cresces, e sempre disse que seria incapaz de desejar quem não imagino. Muitas vezes te falo de estarmos próximos, outras, do hábito, e até deste modo de te não amar a que me habituei.

Para quê fingir? odeio a casa, os chinelos, o conforto de te ver engordar de ano para ano, a cárie, o cheiro que te vem na boca, a máscara de base ou de argila ou de creme johnson que todas as noites pões para todas as manhãs ressuscitares. É em nome de uma lucidez que me permita apodrecer sem subterfúgios que te mando à merda, embora continue a dizer aos rapazes qual o contradomínio da função exponencial, a devorar durante as vinte e duas horas semanais o tempo e a área onde poderia sobreviver.