botões de seguimento

Mostrar mensagens com a etiqueta susan sontag. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta susan sontag. Mostrar todas as mensagens

susan sontag

A tuberculose e o cancro foram utilizados para exprimir não só (como a sífilis) grosseiros fantasmas sobre a contaminação, como também sentimentos extremamente complexos sobre as ideias de força e fraqueza, e ainda sobre energia. Por mais de século e meio, a tuberculose forneceu um equivalente metafórico para a delicadeza, a sensibilidade, a tristeza, o fatalismo; enquanto tudo o que surgia como brutal, implacável, predatório, podia ser representado pelo cancro.

A doença é o lado sombrio da vida, uma cidadania bem pesada. Ao nascer, todos nós adquirimos uma dupla cidadania: a do reino da saúde e a do reino da doença. E muito embora todos preferissem usar o bom passaporte, mais tarde ou mais cedo cada um de nós se vê obrigado, ainda que momentaneamente, a identificar-se como cidadão da outra zona.
O meu propósito não é tanto descrever o que significa realmente emigrar para o reino da doença e aí viver, mas antes as fantasias punitivas ou sentimentais que se constroem acerca dessa situação: não uma geografia real, mas antes estereótipos de carácter nacional. O meu tema não é a doença física em si, mas o uso que se faz da doença como figura ou metáfora. A minha tese é que a doença não é uma metáfora, e o modo mais honesto de olhar a doença - e o modo mais são de estar doente - é o olhar mais depurado, mais resistente ao pensamento metafórico. Mas é praticamente impossível fixarmos residência no reino da doença incontaminados pelas sinistras metáforas que lhe desenharam a paisagem. Elucidar tais metáforas, sacudir o seu jugo, constitui o objectivo deste estudo.

A doença como metáfora / A Sida e as suas metáforas 

susan sontag

I was not looking for my dreams to interpret my life, but rather for my life to interpret my dreams



























susan sontag

"O homem cria as suas próprias doenças", escreveu Groddeck; "é ele a causa das suas doenças, escusado será procurar outro responsável." Ao enumerar as "meras causas externas", Groddeck encabeça a lista com os "bacilos" - seguindo-se os "resfriados, excessos de comida, excessos de bebida, trabalho, e outros". E insiste que o motivo é "porque não é agradável olhar para dentro de nós próprios" e porque os médicos preferem "atacar as causas externas pela profilaxia, a desinfecção e assim por diante", em vez de enfrentar as causas verdadeiras, que são internas. Numa formulação mais recente de Karl Menninger: "a doença é em parte aquilo que o mundo fez à vitima, mas numa parte mais significativa aquilo que a vítima fez do mundo e de si própria..."Opiniões tão absurdas e perigosas acabam por fazer pesar sobre o paciente a responsabilidade da doença e não só enfraquecer a capacidade do paciente para compreender o alcance de um tratamento médico razoável, como também, implicitamente, desviá-lo de tal tratamento. A cura dependeria sobretudo das capacidades de auto-estima do paciente, já duramente postas à prova ou enfraquecidas.

(A doença como metáfora)

susan sontag

Não te descuides quando acontece algo de bom. Não fiques com certezas de que o que virá a seguir terá também de ser bom.