à mp
Sulcos
De que lado viste chegar
o outono? Por que janela
o deixaste entrar? És tu quem
canta em surdina, ou a luz
espessa das suas folhas?
Em que rio te despes para sonhar?
É comigo que voltas
a ter quinze anos e corres
contra o vento até te perderes
na curva da estrada?
A quem dás a mão e confias
um segredo? Diz-me,
diz-me, para que possa habitar
um a um os meus dias.
Eugénio de Andrade
(os sulcos da sede)
Canção desesperada
Nem os olhos sabem que dizer
a esta rosa de alegria,
aberta nas minhas mãos
ou nos cabelos do dia.
O que sonhei é só água,
água só, roxa de frio.
Nenhuma rosa cabe nesta mágoa.
Dai-me a sombra de um navio.
Eugénio de Andrade
As palavras interditas
Até amanhã
e como diz Nuno Júdice no prefácio, Eugénio de Andrade o mais luminoso em tempos sombrios, e um poeta claro numa época em que o que se queria dizer muitas vezes tinha de passar pela expressão codificada e hermética para os não iniciados
a esta rosa de alegria,
aberta nas minhas mãos
ou nos cabelos do dia.
O que sonhei é só água,
água só, roxa de frio.
Nenhuma rosa cabe nesta mágoa.
Dai-me a sombra de um navio.
Eugénio de Andrade
As palavras interditas
Até amanhã
e como diz Nuno Júdice no prefácio, Eugénio de Andrade o mais luminoso em tempos sombrios, e um poeta claro numa época em que o que se queria dizer muitas vezes tinha de passar pela expressão codificada e hermética para os não iniciados
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