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matthieu ricard

Em defesa da felicidade

O aborrecimento é o mal daqueles para quem o tempo não tem valor.
Inversamente, aquele que percebe o inestimável valor do tempo aproveita cada instante de repouso nas actividades quotidianas e nos estímulos exteriores para saborear com delícia a serenidade do momento. Ignora o aborrecimento, essa secura do espírito.
O mesmo se passa com a solidão. Aquele que se isola dos seres e do universo para estagnar na redoma do ego sente-se só no meio da multidão. Mas quem se apercebe da interdepedência de todos os fenómenos não pode sofrer com a solidão, por exemplo, o eremita, que sabe permanecer em harmonia com todo o universo.

Não pode existir um método único, um só remédio ou um só alimento para progredir sem obstáculos para a libertação do sofrimento. A diversidade dos meios reflecte a diversidade dos seres. Cada um caminha a partir do ponto em que se encontra, com uma natureza, disposições pessoais, arquitectura intelectual e crenças diferentes...E cada um pode descobrir um método que se lhe adapte para trabalhar o pensamento e libertar-se progressivamente do jugo das emoções prejudiciais, antes de finalmente entender a natureza última do espírito.

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