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Gonçalo M Tavares

à mp
amor e identidade

"Em que canto do corpo contrário devo ler a minha verdade?", pergunta-se Barthes e no pequeno fragmento denominado "Dói-me o outro", o mesmo Barthes cita ainda Nietzsche, referindo-se à unidade entre amantes: "o outro como ele se sente a si próprio" - o que se pode ser designado por "unidade no sofrimento". Ora, este dói-me a dor do outro é realmente o ponto de união mais forte entre dois organismos e, nesse sentido, o ponto de dissolução da identidade.
Escreveu Sylvia Plath:
"O teu corpo
Magoa-me como o mundo magoa Deus".
Muito menos poderoso, acrescente-se, seria um alegro-me no outro, pois a alegria entendida como um presente positivo não requer qualquer sacrifício por parte de quem a rouba ao outro. Facilmente um cínico diria: sim, tu entusiasmadamente roubas-me a minha alegria mas o que eu desejava é que roubasses a minha dor, que a levasses contigo, sem eu o notar, como um ladrão rouba a carteira do homem desprevenido.
Também se podia falar de um roubo da respiração. Aliás, esta é uma expressão utilizada para substituir o beijo: ele tomou-lhe a respiração, ele beijou-a.
A dor, de facto, como o mais relevante.

(recebi este livro (Atlas do corpo e da imaginação) de presente, e por acaso hoje abri-o exactamente nesta página, 141)

2 comentários:

  1. eu também :)
    (grande presente, não foi?)
    (feliz natal)

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    Respostas
    1. Grande grande mesmo!
      Somos uns sortudos:-)
      Feliz Natal

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