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Um sopro de vida

Isto não é um lamento, é um grito de ave rapina. Irisada e intranquila. O beijo no rosto morto.
Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz. Vivam os mortos porque nele vivemos.
De repente as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho a certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é.

Clarice Lispector

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