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viajo com os livros I

A Indía  é o país das coisas incríveis, para as quais olhamos três vezes e esfregamos os olhos, julgando ter tido ilusões de óptica; estas lúgubres perspectivas de corpos humanos estendidos nos passeios, que recordam um pouco os famosos desenhos de Moore sobre os dormitórios improvisados durante o Blitz nas estações subterrâneas de Londres, e também as fotografias dos fuzilados nos campos de extermínio da última guerra, de entre as coisas indianas são certamente aquelas diante das quais ficamos mais perplexos.

Pode parecer estranho, mas senti-me muito mais embaraçado diante de Nehru tão natural, tão afável, tão intelectual, do que me teria sentido perante um ditador formal e autoritário...
Com efeito, um ditador não teria exigido de mim mais do que uma atitude convencional quase ritual, e uma quantidade limitada de frases feitas e de trivialidades. Nehru, porém, exigia de mim um esforço contínuo de reflexão, de escolha, de compreensão, enfim, de imaginação.

Alberto Moravia
(Uma ideia da Índia)

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