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nunca ninguém ao certo nos conhece

Quem bem repara menos vê ou vê
mais e melhor o quanto reparou.
Por isso, anos passados, recordando,
folheando as folhas para tal guardadas,
olhando uns vãos desenhos em que há sempre
sebentas, livros, um amor sabido,
e lendo versos em que há sempre livros,
o mesmo amor, sebentas e talvez
alguma graça já sem graça alguma,
tão docemente o recordar se aviva,
que não distingue...outros recorda...esquece

E como reparar-se em quem não pára?
Em quem do Porto ou Coimbra se prepara
para a viagem de Coimbra ao Porto?
Em quem trabalha e estuda em correria
sem ter tempo a perder na Academia?

E pois que da amizade nestes livros
só ficará quanta morrer na vida,
folheai, lembrai, guardai nos papéis velhos,
que o resto, o mais, , o que afinal é tudo,
aqui não está - ou, estando, não é vosso

Jorge de Sena

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