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Sophia de Mello Breyner Andresen

Lutaram corpo a corpo com o frio
Das casas onde nunca ninguém passa,
Sós, em quartos imensos de vazio,
Com um poente em chamas na vidraça.


No ponto onde o silênsio e a solidão
Se cruzam com a noite e com o frio,
Esperei como quem espera em vão,
Tão nítido e preciso era o vazio.


Apesar das ruínas e da morte,
Onde semprea cabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

(Poemas do livro Poesia, Assírio e Alvim)

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